Duas resoluções, que entraram em vigor na semana passada, proíbem a atuação de parteiras, doulas — acompanhantes de gestantes — e a realização de partos em casa.
O principal argumento da entidade é que essas profissionais e o procedimento fora de ambiente hospitalar coloca em risco a mulher e o bebê.
Bia Siqueira, Guilherme Abrunhosa e a filha Bel, que nasceu há 15 dias, defendem o parto humanizado e criticam decisão dos médicos do Rio | Foto: Maíra Coelho / Agência O Dia
O médico que participar do parto domiciliar será processado disciplinarmente e pode até perder o direito de exercer a profissão. O Rio é o primeiro estado do País a ter esse tipo de proibição. No Brasil, existem cerca de 60 mil parteiras em atuação.
“Estão querendo voltar ao tempo em que as mulheres tinham filhos em casa. Isso é absolutamente inseguro. Essas mães estão sendo iludidas. A doula não tem formação nenhuma. E o médico que atua com elas ou faz parto em casa comete um crime contra o paciente”, defendeu o obstetra Luís Fernando Moraes, conselheiro do Cremerj.
Pais de Bel, de apenas 15 dias, o casal Bia Siqueira, 31, e Guilherme Abrunhosa, 29, defende que a atividade de doula é importante para muitas mães no trabalho de parto.
Com mais de cinco mil partos no currículo, a professora de Enfermagem Lelia Maria Queiroz acha a medida do Cremerj arbitrária . “O Ministério da Saúde reconhece as parteiras. Como os médicos do Rio, não?”.
Coren afirma que decisão é retrocesso e vai acionar MP
O Conselho Regional de Enfermagem do Rio de Janeiro (Coren-RJ) vai acionar o Ministério Público contra a medida do Cremerj. A entidade afirma que a decisão pode resultar no fim das casas de parto, além de ser ilegal e um retrocesso histórico, porque legisla sobre o corpo feminino.
“As resoluções inibem o direito da mulher de decidir onde e por quem será acompanhada no seu parto, praticamente obrigando-a a dar à luz no hospital.
Durante o trabalho de parto, Bia e Guilherme tiveram auxílio de uma doula | Foto: Reprodução
O Cremerj desrespeita os preceitos dos manuais do SUS sobre os direitos sexuais e reprodutivos, além dos decretos do Ministério da Saúde referentes à humanização no parto”, afirmou o presidente do Coren-RJ, Pedro de Jesus.
A Presidente da Associação Nacional de Doulas, a professora Maria de Lourdes da Silva Teixeira, a Fadynha, 63 anos, lembrou que a decisão terá efeito imediato em muitas mães.
“Ficamos proibidas de entrar nas maternidades. E como fica o direito da gestante?”, disse ela, que, mesmo com a proibição, vai ministrar um curso para formação de doulas em setembro.
FONTE: Jornal O Dia
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